Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim. A tua beleza aumenta quando estamos sós E tão fundo intimamente a tua voz Segue o mais secreto bailar do meu sonho. Que momentos há em que eu suponho Seres um milagre criado só para mim
Aqui nesta praia onde Não há nenhum vestígio de impureza, Aqui onde há somente Ondas tombando ininterruptamente, Puro espaço e lúcida unidade, Aqui o tempo apaixonadamente Encontra a própria liberdade
Aqui
Aqui, deposta enfim a minha imagem, Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem, No interior das coisas canto nua. Aqui livre sou eu o eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos E o tumulto dos gestos pressentidos, Aqui sou eu em tudo quanto amei. Não por aquilo que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi, Não pelos incertos actos que vivi, Mas por tudo de quanto ressoei E em cujo amor de amor me eternizei.
As ondas quebravam uma a uma. Eu estava só com a areia e com a espuma. Do mar que cantava só para mim.
As rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas É como se prendesse entre os meus dentes Todo o luar das noites transparentes, Todo o fulgor das tardes luminosas, O vento bailador das Primaveras, A doçura amarga dos poentes, E a exaltação de todas as esperas.
Às vezes
Às vezes julgo ver nos meus olhos A promessa de outros seres Que eu podia ter sido, Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta Só me vem o terror e a mágoa De me sentir sem forma, vaga e incerta Como a água.
Ausência
Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.
Atravessei o jardim solitário e sem lua, Correndo ao vento pelos caminhos fora, Para tentar como outrora Unir a minha alma à tua, Ó grande noite solitária e sonhadora. Entre os canteiros cercados de buxo, Sorri à sombra tremendo de medo. De joelhos na terra abri o repuxo, E os meus gestos dessa encantação, Que devia acordar do seu inquieto sono A terra negra canteiros E os meus sonhos sepultados Vivos e inteiros. Mas sob o peso dos narcisos floridos Calou-se a terra, E sob o peso dos frutos ressequidos Do presente, Calaram-se os meus sonhos perdidos. Entre os canteiros cercados de buxo, Enquanto subia e caía a água do repuxo, Murmurei as palavras em que outrora Para mim sempre existia O gesto dum impulso. Palavras que eu despi da sua literatura, Para lhes dar a sua forma primitiva e pura, De fórmulas de magia. Docemente a sonhar entra a folhagem A noite solitária e pura Continuou distante e inatingível Sem me deixar penetrar no seu segredo E eu senti quebrar-se, cair desfeita, A minha ânsia carregada de impossível, Contra a sua harmonia perfeita. Tomei nas minhas mãos a sombra escura E embalei o silêncio nos meus ombros. Tudo em minha volta estava vivo Mas nada pôde acordar dos seus escombros O meu grande êxtase perdido. Só o vento passou e quente E à sua volta todo o jardim cantou E a água do tanque tremendo Se maravilhou Em círculos, longamente.
À sua passagem a noite é vermelha, E a vida que temos parece Exausta, inútil, alheia.
Ninguém sabe onde vai nem donde vem, Mas o eco dos seus passos Enche o ar de caminhos e de espaços E acorda as ruas mortas.
Então o mistério das coisas estremece E o desconhecido cresce Como uma flor vermelha.
As Fontes
Um dia quebrarei todas as pontes Que ligam o meu ser, vivo e total, À agitação do mundo do irreal, E calma subirei até às fontes.
Irei até às fontes onde mora A plenitude, o límpido esplendor Que me foi prometido em cada hora, E na face incompleta do amor.
Irei beber a luz e o amanhecer, Irei beber a voz dessa promessa Que às vezes como um voo me atravessa, E nela cumprirei todo o meu ser.
A Pequena Praça
A minha vida tinha tomado a forma da pequena praça Naquele outono em que a tua morte se organizava meticulosamente Eu agarrava-me à praça porque tu amavas A humanidade humilde e nostálgica dos pequenas lojas Onde os caixeiros dobram e desdobram fitos e fazendas Eu procurava tornar-me tu porque tu ias morrer E a vida toda deixava ali de ser a minha Eu procurava sorrir como tu sorrias Ao vendedor de jornais ao vendedor de tabaco E à mulher sem pernas que vendia violetas Eu pedia à mulher sem pernas que rezasse por ti Eu acendia velas em todos os altares Das igrejas que ficam no canto desta praça Pois mal abri os olhos e vi foi para ler A vocação do eterno escrita no teu rosto Eu convocava as ruas os lugares as gentes Que foram as testemunhas do teu rosto Para que eles te chamassem para que eles desfizessem O tecido que a morte entrelaçava em ti
A Hora da Partida
A hora da partida soa quando Escurece o jardim e o vento passa, Estala o chão e as portas batem, quando A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando as árvores parecem inspiradas Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos Me é estranha e longínqua a minha face E de mim se desprende a minha vida.
Apesar das ruínas e da morte, Onde sempre acabou cada ilusão, A força dos meus sonhos é tão forte, Que de tudo renasce a exaltação E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Apolo Musageta
Eras o primeiro dia inteiro e puro Banhando os horizontes de louvor.
Eras o espírito a falar em cada linha Eras a madrugada em flor Entre a brisa marinha. Eras uma vela bebendo o vento dos espaços Eras o gesto luminoso de dois braços Abertos sem limite. Eras a pureza e a força do mar Eras o conhecimento pelo amor.
Sonho e presença de uma vida florindo Possuída suspensa.
Eras a medida suprema, o cânon eterno Erguido puro, perfeito e harmonioso No coração da vida e para além da vida No coração dos ritmos secretos.
Bebido o luar, ébrios de horizontes, Julgamos que viver era abraçar O rumor dos pinhais, o azul dos montes E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos, Não são nossos os frutos nem as flores, O céu e o mar apagam-se exteriores E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos, Límpidos nas auroras a nascer, Por que o céu e o mar se não seremos Nunca os deuses capazes de os viver.
Côncavas de ter Longas de desejo Frescas de abandono Consumidas de espanto Inquietas de tocar e não prender.
Como uma flor vermelha
À sua passagem a noite é vermelha, E a vida que temos parece Exausta, inútil, alheia. Ninguém sabe onde vai nem donde vem, Mas o eco dos seus passos Enche o ar de caminhos e de espaços E acorda as ruas mortas. Então o mistério das coisas estremece E o desconhecido cresce Como uma flor vermelha.
Casa branca
Casa branca em frente ao mar enorme, Com o teu jardim de areia e flocos marinhas E o teu silêncio intacto em que dorme O milagre das coisas que eram minhas.
A ti eu voltarei após o incerto Calor de tantos gestos recebidos Passados os tumultos e o deserto Beijados os fantasmas, percorridos Os murmúrios da terra indefinida.
Em ti renascerei num mundo meu E a redenção virá nas tuas linhas Onde nenhuma coisa se perdeu Do milagre das coisas que eram minhas.
De todos os cantos do mundo Amo com um amor mais forte e mais profundo Aquela praia extasiada e nua, Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
Devagar no Jardim ...
Devagar no jardim a noite poisa E o bailado dos seus passos Liberta a minha alma dos seus laços, Como se de novo fosse criada cada coisa.
És tu a Primavera que eu esperava, A vida multiplicada e brilhante, Em que é pleno e perfeito cada instante!
Espero sempre por ti o dia inteiro, Quando na praia sobe, de cinza e oiro, O nevoeiro E há em todas as coisas o agoiro De uma fantástica vinda.
Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo
Eis-me Tendo-me despido de todos os meus mantos Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses Para ficar sozinha ante o silêncio Ante o silêncio e o esplendor da tua face Mas tu és de todos os ausentes o ausente Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras E o teu encontro São planícies e planícies de silêncio Escura é a noite Escura e transparente Mas o teu rosto está para além do tempo opaco E eu não habito os jardins do teu silêncio Porque tu és de todos os ausentes o ausente
Estranha noite
Estranha noite velada, Sem estrelas e sem lua. Em cuja bruma recua Fantasma de si mesma cada imagem
Jaz em ruínas a paisagem, A dissolução habita cada linha. Enorme, lenta e vaga A noite ferozmente apaga Tudo quanto eu era e quanto eu tinha
E mais silenciosa do que um lago, Sobre a agonia desse mundo vago, A morte dança E em seu redor tudo recua Sem força e sem esperança.
Tudo o que era certo se dissolve; O mar e praia tudo se resolve Na mesma solidão eterna e nua.
Hoje, noite de Abril sem lua, A minha rua É outra rua.
Talvez por ser mais que nenhuma escura E bailar o vento leste, A noite de hoje veste As coisas conhecidas de aventura.
Uma rua nova destruiu a rua do costume. Como se sempre nela houvesse este perfume De Vento leste e Primavera, A sombra dos muros espera Alguém que ela conhece. E às vezes o silêncio estremece Como se fosse a hora de passar alguém Que só hoje não vem.
Instante
Deixai-me limpo O ar dos quartos E liso O branco das paredes Deixai-me com as coisas Fundadas no silêncio
Liberdade
O poema é A liberdade
Um poema não se programa Porém a disciplina - Sílaba por sílaba - O acompanha
Sílaba por sílaba O poema emerge - Como se os deuses o dessem O fazemos
Mar
I
De todos os cantos do mundo Amo com um amor mais forte e mais profundo Aquela praia extasiada e nua, Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.
II
Cheiro a terra as árvores e o vento Que a Primavera enche de perfumes Mas neles só quero e só procuro A selvagem exalação das ondas Subindo para os astros como um grito puro.
Meio-dia
Um canto da praia sem ninguém. O sol no alto, fundo, enorme, aberto, Tornou o céu de todo o deus deserto. A luz cai implacável como um castigo. Não há fantasmas nem almas, E o mar imenso solitário e antigo, Parece bater palmas.
Noite
Mais uma vez encontro a tua face, Ó minha noite que julguei perdida.
Mistério das luzes e das sombras Sobre os caminhos de areia,
Rios de palidez que escorre Sobre os campos a lua cheia,
Ansioso subir de cada voz Que na noite clara se desfaz e morre.
Secreto, extasiado murmurar De mil gestos entre a folhagem
Tristeza das cigarras a cantar.
Ó minha noite, em cada imagem Reconheço e adoro a tua face, Tão exaltadamente desejada, Tão exaltadamente encontrada, Que a vida há-de passar, sem que ela passe, Do fundo dos meus olhos onde está gravada.
Ó Poesia sonhei que fosses tudo
Ó Poesia sonhei que fosses tudo E eis-me na orla vã abandonada Uma por uma as ondas sem defeito Quebram o seu colo azul de espuma E é como se um poema fosse nada
*
O êxtase do ar e a palavra do vento povoaram de ti meu pensamento.
O Dia
Passa o dia contigo Não deixes que te desviem Um poema emerge tão jovem tão antigo Que nem sabes desde quando em ti vivia
Os Poetas
Solitários pilares dos céus pesados, Poetas nus em sangue, ó destroçados Anunciadores do mundo Que a presença das coisas devastou. Gesto de forma em forma vagabundo Que nunca num destino se acalmou.
O Poema
O poema me levará no tempo Quando eu já não for eu E passarei sozinha Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá Às searas
Sua passagem se confundirá Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas De funda e devorada solidão Alguém seu próprio ser confundirá Com o poema no tempo
O luar enche a terra de miragens
O luar enche a terra de miragens E as coisas têm hoje uma alma virgem, O vento acordou entre as folhagens Uma vida secreta e fugitiva, Feita de sombra e luz, terror e calma, Que é o perfeito acorde da minha alma.
Ondas
Onde - ondas - mais belos cavalos Do que estas ondas que vós sois Onde mais bela curva do pescoço Onde mais longas crinas sacudidas Ou impetuoso arfar no mar intenso Onde tão ébrio amor em vasta praia
Ouve
Ouve: Como tudo é tranquilo e dorme liso; Claras as paredes, o chão brilha, E pintados no vidro da janela O céu, um campo verde, duas árvores. Fecha os olhos e dorme no mais fundo De tudo quanto nunca floresceu. Não toques nada, não olhes, não te lembres. Qualquer passo Faz estalar as mobílias aquecidas Por tantos dias de sol inúteis e compridos. Não te lembres, nem esperes. Não estás no interior de um fruto: Aqui o tempo e o sol nada amadurecem.
O jardim e a noite
Atravessei o jardim solitário e sem lua, Correndo ao vento pelos caminhos fora, Para tentar como outrora Unir a minha alma à tua, Ó grande noite solitária e sonhadora.
Entre os canteiro cercados de buxo, Sorri à sombra tremendo de medo. De joelhos na terra abri o repuxo, E os meus gestos foram gestos de bruxedo. Foram os gestos dessa encantação, Que devia acordar do seu inquieto sono A terra negra dos canteiros E os meus sonhos sepultados Vivos e inteiros.
Mas sob o peso dos narcisos floridos Calou-se a terra, E sob o peso dos frutos ressequidos Do presente, calaram-se os meus sonhos perdidos.
Entre os canteiros cercados de buxo, Enquanto subia e caía a água do repuxo, Murmurei as palavras em que outrora Para mim sempre existia O gesto dum impulso.
Palavras que eu despi da sua literatura, Para lhes dar a sua forma primitiva e pura, De fórmulas de magia.
Docemente a sonhar entre a folhagem A noite solitária e pura Continuou distante e intangível Sem me deixar penetrar no seu segredo. E eu senti quebrar-se, cair desfeita, A minha ânsia carregada de impossível, Contra a sua harmonia perfeita.
Tomei nas minhas mãos a sombra escura E embalei o silêncio nos meus ombros. Tudo em minha volta estava vivo Mas nada pôde acordar dos seus escombros O meu grande êxtase perdido.
Só o vento passou pesado e quente E à sua volta todo o jardim cantou E a água do tanque tremendo Se maravilhou Em círculos, longamente.
Pelas tuas mãos medi o mundo E na balança pura dos teus ombros Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua.
Praia
Na luz oscilam os múltiplos navios Caminho ao longo dos oceanos frios
As ondas desenrolam os seus braços E brancas tombam de bruços
A praia é longa e lisa sob o vento Saturada de espaço e maresia
E para trás de mim fica o murmúrio Das ondas enroladas como búzios.
Pirata
Sou o único homem a bordo do meu barco. Os outros são monstros que não falam, Tigres e ursos que amarrei aos remos, E o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros E de me abrir na brisa com as velas, E há momentos que são quase esquecimento Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa, A minha amada é onde os roseirais dão flor, O meu desejo é o rastro que ficou das aves, E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.
Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.
Poema
Cumpridos os deveres compridos deixaram De assediar minhas horas
Doce a liberdade retoma em si minha leveza antiga
Que poderei de mim mais arrancar P'ra suportar o dom da tua mão, Anjo rubro do vento e solidão Que me trouxeste o espaço, o deus e o mar?
No céu, a linha última das casas É já azul, alada, imensa e leve. Nenhum gesto, nenhum destino é breve Porque em todos estão inquietas asas.
Depois ao pôr do sol ardem as casas, O céu e o fogo passam pela terra, E a noite negra vem cheia de brasas Num crescendo sem fim que nos desterra.
Se tanto me dói que as coisas passem É porque cada instante em mim foi vivo Na luta por um bem definitivo Em que as coisas de amor se eternizassem.
Se todo o ser ao vento abandonamos E sem medo nem dó nos destruímos, Se morremos em tudo o que sentimos E podemos cantar, é porque estamos Nus em sangue, embalando a própria dor Em frente às madrugadas do amor. Quando a manhã brilhar refloriremos E a alma possuirá esse esplendor Prometido nas formas que perdemos. Aqui, deposta enfim a minha imagem, Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem. No interior das coisas canto nua. Aqui livre sou eu eco da lua E dos jardins, os gestos recebidos E o tumulto dos gestos pressentidos Aqui sou eu em tudo quanto amei. Não pelo meu ser que só atravessei, Não pelo meu rumor que só perdi, Não pelos incertos atos que vivi, Mas por tudo de quanto ressoei E em cujo amor de amor me eternizei.
Soneto de Eurydice
Eurydice perdida que no cheiro E nas vozes do mar procura Orpheu Ausência que povoa terra e céu E cobre de silêncio o mundo inteiro Assim bebi manhãs de nevoeiro E deixei de estar viva e de ser eu Em procura de um rosto que era meu O meu rosto secreto e verdadeiro Porém nem nas marés nem na miragem Eu te encontrei. Erguia-se somente O rosto liso e puro da paisagem E devagar tornei-me transparente Como morta nascida à tua imagem E no mundo perdida esterilmente.
Senhor se da tua...
Senhor se da tua pura justiça Nascem os monstros que em minha roda eu vejo É porque alguém te venceu ou desviou Em não sei que penumbra os teus caminhos
Foram talvez os anjos revoltados. Muito tempo antes de eu ter vindo Já se tinha a tua obra dividido
E em vão eu busco a tua face antiga És sempre um deus que nunca tem um rosto
Por muito que eu te chame e te persiga.
Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição Onde tudo nos quebra e emudece Onde tudo nos mente e nos separa